Meditação, Cultura e Educação

         Anos e anos depois... e nós ainda insistindo no mesmo tema... Mas por que tanta insistência da nossa parte, em toda essa história de meditação? 

         Porque meditação, quando faz parte da vida do indivíduo, torna sua vida cada vez mais centrada. Embora possamos participar mais da vida comunitária, interferindo mesmo, vamos ficando cada vez mais e mais dentro de nós mesmos, cada vez menos e menos “atacados” pelos desmandos da vida no planeta. 

         Eis por que ousamos dizer: meditação é cultura, ou melhor, Meditação é Cultura – com letras maiúsculas. E tem de ser assimilada pela vontade própria, pela própria compreensão, não pode ser por mero convencimento. A crença é um empecilho, como diz Osho e como vamos redescobrindo a cada passo desta nossa caminhada. 

         Nós não podemos dizer que haverá um belo futuro para você, que sua vida vai ser diferente... pelo menos, não no sentido em que queremos “uma vida diferente”. Sua verdadeira vida será diferentíssima, mas no sentido da sua visão de mundo e do amor por si e pelos outros, obviamente. E essa diferença é  nosso direito de nascimento, temos o dever de batalhar por ela.

         Não apenas sobre o futuro, não podemos dizer nada quanto a qualquer coisa, exatamente como o nosso Mestre fez conosco – Ele nunca prometeu nada; Ele apenas nos indicou um caminho que nos levaria à nossa maturidade. Pouco, não é? Nós já estamos até ficando velhos... Essa conversa de maturidade não é muito sedutora, não... Primeiro porque todos pensamos que já somos maduros – ficamos o tempo todo escondendo os traços do envelhecimento, tentando parecer mais jovens, concordando com as exigências do mercado, e nem assim assumimos que ainda não somos maduros. 

         Cuidamos do que morre e nos esquecemos do que é eterno em nós. Longe de nós dizer que não é importante amar o corpo em cada uma de suas células. Longe de nós. Por isso é uma ousadia dizer que Meditação é Cultura. Acontece, que a Meditação nos empurra para nós mesmos, para o que realmente queremos, para o nosso potencial, não para o mercado. Não adianta brigar com o mercado. Vamos ser seres capazes de desfrutar tudo o que há de bom, sem nos comprometermos com o que apenas nos leva ao esquecimento de nós. Isso a meditação fornece.

         E fornece mais: fornece a capacidade de visão não-distorcida, de pensamento correto, de imaginação criativa, e muito mais. Mas é preciso batalhar – ir atrás de si mesmo para encontrar o eterno.

         Certamente, a Meditação ainda não faz parte da cultura ocidental, mas fará em futuro muito próximo. E, um pouco mais no futuro ainda, será a base de todas as culturas humanas, pois brevemente será constatado que a Meditação era tudo o que nos faltava para entrarmos em contacto com a nossa origem universal – não temos mais para onde nos virar... temos de ir para dentro de nós mesmos... Finalmente!

         Como se chega à conclusão de que a Meditação é um fato cultural? Basta observarmos a dificuldade de difundi-la inclusive nos meios que já não sobrevivem tão bem sem ela: todas as ciências, toda a política e suas várias políticas, todas as religiões, enfim, toda a Educação. Nada mais parece funcionar nessas áreas, pois cada vez menos há homens centrados em si durante os seus trabalhos. Osho fala uma coisa, muitas vezes, em vários de seus discursos: que o homem conhece a mais distante estrela, mas não conhece a si mesmo; que no laboratório há de tudo, menos o cientista – ele está sempre ausente de si. Deve ser por isso que tudo é tão lento, precário e temerário; ou idiota.

         Meditação não é uma novidade. De novidades gostamos todos. Ela depende de raízes profundas plantadas na nossa vida. E nós cortamos essas raízes há muitos e muitos séculos, por isso não notamos por nós mesmos o que realmente nos falta. E viramos o rosto para quem veio nos dizer isso de forma consistente. Eu vi isso acontecer. Quando entrei no Sânias – quando entrei no mistério da vida –, Osho estava sendo destruído exatamente pelos que se sentem donos do mundo. Envenenado. Mas a força da verdade existe... Nada pode segurar a verdade, Ele nos diz. E hoje podemos ver isso com clareza: até nós dois, Abodha e eu, estamos aqui oferecendo um espaço para as Suas Meditações acontecerem. Mas você terá de descobrir a vontade dentro de si mesmo. Nós oferecemos, mas é você quem vem, ou não. E esperamos por você com o coração aberto, o mesmo coração que Ele nos ensinou a abrir. 

         Ousamos novamente dizer outra coisa, mas muito parecida, que faz parte da primeira coisa que lhe dissemos: Meditação também é Educação – definitivamente com letras maiúsculas. Trata-se da Educação no seu sentido primordial: conduzir-se para fora, sabendo entrar, para dentro de si, novamente. 

         Educação não é nada do que ouvimos dizer até hoje. As várias disciplinas deveriam ser, simplesmente, várias estratégias de se levar o indivíduo a sair de dentro de si para comunicar-se com todos – agir, atuar na vida. Mas isso não traria louros pessoais a ninguém, pois tudo ficaria diluído culturalmente, nas várias formas de independência individual. E, com essa atual pseudo-educação, nós fizemos todo esse resultado hediondo que é a vida do homem na Terra, nas várias partes improvisadas do planeta Terra, os países, criando indefinidamente meios de expressar a nossa “bondade” ao tentar consertar o que nós mesmos estragamos: a vida do homem na Terra. Basta lermos os jornais. Parece que há um terremoto acontecendo em todo o planeta de uma vez só... Podemos fazer de conta que não vemos, mas o horror já está aí – não há mais caiação que dê certo... os ratos estão saindo dos sepulcros.

         Sem Meditação, não poderá jamais haver qualquer forma de educação – digo: de condução de si mesmo para fora com sabedoria bastante para voltar para dentro. Sair e entrar, como fazemos diariamente ao sair de casa e voltar para casa – essa imagem é de Osho. Repito: não poderá jamais haver qualquer forma de educação, ou melhor, Educação.

         Boas intenções podem no máximo fazer o trabalho dos bombeiros... Mas é muito pouco para o ser humano. Precisamos do encontro conosco mesmos para poder ajudar alguém a chegar a si mesmo e a compreender-se. Ah... se os professores meditassem... Que transformação! E os médicos...? E todos os demais que cuidam das pessoas... Que transformação veríamos neste mundo. Ao invés de tanta reclamação, como se alguém pudesse reclamar de alguém, teríamos criatividade transbordante.

        Eis por que dizemos que, sem nenhuma pretensão,  toda a nossa tentativa aqui é ajudar as pessoas a se reencaminharem para dentro de si mesmas. Nada que belos discursos sobre Educação possam fazer. Esses discursos nunca faltaram. Atualmente, muitas pessoas colocam as frases da compreensão, trazidas por Osho, até em suas teses de doutorado. Muito bom e bonito. Mas simplesmente isso não fará acontecer nada, pois a vida não é feita de discursos, nem de teses. A vida é feita de Verdade. Mas a Verdade precisa da Coragem para se revelar. E a Coragem precisa da Ação para se expressar. 

         Está claro que nenhum de nós é culpado. Nem vítima. Somos, no entanto, responsáveis. Esta é a nova visão que chegou à Terra, com Osho, não como acusação, nem como diagnóstico apenas – isso é velhíssimo! Chegou à Terra na forma de um trabalho de Mestre, Aquele que cria a situação apropriada para o crescimento dos discípulos.

         E chegou o tempo do homem entrar em contacto com a sua própria eternidade. E povos foram chegando de todo o planeta para perto do Mestre dos Mestres. E grande parte da população da Terra, aquela parte mais insatisfeita que há em todas as partes, se encaminhou na direção do Mestre. Nós dois também – eu atrás dele... E foi a única coisa verdadeiramente grandiosa que pudemos ver nos nossos dias. Somos dois amigos abençoados que pudemos desfrutar juntos dessa grandiosidade.

         E o trabalho do Mestre se expandiu por toda a Terra quase que de forma incontrolada. Nós também fazemos parte dessa expansão.

         Mais uma vez outra vez: Seja Bem-vindo! Visite outras partes desta home page, e venha meditar conosco. 

         Love. 
     Samashti, Anand