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Como eu disse lá na apresentação dos amigos, tive um amigo que se aproximou de Osho antes de mim. Eu só tive coragem de ir por confiar nele. Era tudo muito esquisito para os olhos cobertos com os preconceitos usuais de uma mulher como eu. Nós já éramos amigos há 10 anos. Eu muito cristã católica, ele muito aberto, a ponto de poder conviver até com os preconceituosos – como eu. Na verdade, eu andava muito preocupada com o “desvio” tomado pelo meu querido amigo. Eu era firme numa certa visão: não era mais católica, pensava então, mas muito menos iria me meter com qualquer outra religião, muito menos com aquelas do lado oriental – que desconfiança tudo aquilo me causava! Ele, um rapaz tão quietinho, tão educado, de repente, começava a ficar exaltado, desinibido, enfim, tudo muito esquisito... Ver um amigo trocar a calça jeans e as camisas sóbrias por roupas folgadas e vermelhas, era realmente muito esquisito para mim. E eu ficava rondando de longe, tomando conta para “salvá-lo” a qualquer momento. Um dia, ele tomou o Sânias. Depois vendeu seu carro e partiu para o II Festival do Sânias, no Óregon. Claro que voltou outra pessoa. Numa de suas cartas, em março de 1983, ele me disse: “E fica difícil te escrever porque você não conhece o Abodha e conhece muito o Luiz e...” (...) “Tem mais uma coisa. Você ainda não viu o Abodha. E fica difícil escrever pra alguém que não me viu e me viu muito. Tem alguma coisa diferente e tem muita coisa diferente. Mas aí a gente precisa se ver.” (...) É ou não é preocupante? Um amigo tão equilibrado de repente fica assim. E quando ele voltou do Óregon, a coisa ficou muito “pior”... Ele distanciou mais as visitas que me fazia... Mas, quando há verdade entre as pessoas, nem os tamanhos preconceitos de uma católica da minha cepa podem interferir por muito tempo. Afinal, eu andava atrás de um Mestre como Osho, mas não sabia que ainda havia tal coisa no planeta. Contudo, quem tem amigo não morre de sede.
Eu sempre abordava o Abodha com a pergunta: “Como vai o velho Rajneesh?”.
E ele ia me contando tudo que ouvira, lera ou vira. Era uma forma de eu
poder “tomar conta dele” para ele não se perder de vez... Eu não
estou mentindo nem exagerando. Estou relatando.
E um belo dia ele chega e começa a contar a história mais estapafúrdia do mundo! Com essa notícia, ele acabava de confirmar para mim que o tal mestre era apenas “mais um dos Maharish”, que era como eu os identificava... – e era o mais louco de todos, ao que parecia! Por quê? Porque ele tinha aparecido então, com uma informação sobre uma certa doença que dizimaria toda a humanidade, ou a maior parte dela. Ora, eu era uma mulher bem-informadíssima, lia 3 jornais por dia, 3 revistas por semana e... via a TV Globo! E já tinha lido tudo que me caíra nas mãos. E não desconhecia a conversa dos esotéricos. Roía livros com os olhos como poucos nesta terra. Ninguém nunca tinha dito nada sobre tal doença e aquele tal mestre já estava ensinando a sua turma a se prevenir. Camisinhas, luvas, tudo para fazer sexo! E, ao contrário do que Ele mesmo fora até então, um total libertário comportamental da humanidade, começara a falar na necessidade de maior consciência na vida sexual – sem culpa, sem repressão, mas com muita consciência. E durante dois anos eu tive que conviver com essa sandice – que era como eu via tudo isso –, até que saiu a primeira notinha no JB, num canto da primeira página, sobre uma certa doença desconhecida, transmissível e mortal. Era uma notinha só; e o assunto sumiu. Mas... o assunto começava a fazer algum sentido dentro dos meus preconceitos... A doença depois ganhou o nome de AIDS. Na França é SIDA... A França gosta de ser especial... Mas SIDA ou AIDS a morte é certa e não adianta mentir para ninguém. E quem vive muito com a doença, vive apenas para a doença, não faz mais nada na vida. É mais do que hora de aprendermos a morrer, vivendo intensamente, como ensina esse adorável Mestre. MEDITAÇÃO! Desde 1988 estamos sofrendo horrores no Brasil, entre a consciência e o ensinamento do Mestre mais notável dos últimos 2500 anos e a Constituição do Brasil, que proíbe as pessoas de terem consciência e crescerem... – quem protege quer manter a escravidão. Mas, chega um tempo em que temos a liberdade de ter coragem para criar encrencas... Pelo menos num lugar bem particular, podemos pensar diferente de todos e trazer novas compreensões, novas luzes, sobre assuntos de vital importância. A AIDS é um deles. Apresento um comentário sobre os ensinamentos de Osho, quanto à AIDS, do Dr. George Meredith M.D. M.B., B.S. M.R.C.P. – para nós, simplesmente Amrito. Pessoalmente, ele é um homem lindo, delicado, despretensioso e amante de Osho. Ele foi o mais jovem integrante da Real Academia Inglesa de Medicina, ou coisa parecida. Tem títulos verdadeiros na sua profissão.
Ah, esqueci-me de dizer que minhas resistências a esse fantástico
homem entre os homens duraram apenas mais 3 anos: em 1985, eu mesma pedi-lhe
meu Sânias, e fui iniciada. Não podia acabar perdendo um amigo
por pura incompreensão...
Love. Samashti. Fevereiro de 2000
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