Ciência e Religião, dois mundos à parte

        O método da ciência tem que permanecer objetivo, e a ciência tem muito medo do subjetivo, por muitas razões. A ciência e a mente científica não podem acreditar no subjetivo, porque, primeiramente, ele é particular e individual e ninguém pode entrar nele. Ele não pode se tornar público e coletivo e, a menos que algo seja público e coletivo, nada pode ser dito a respeito.
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        A ciência precisa de experimentos objetivos, repetíveis. E a psicologia, se ela quer ser uma ciência, deve seguir regras científicas. A religião é subjetiva. Ela não está interessada em provar nenhum fato; ao invés, ela está interessada em chegar a uma experiência individual. E o mais profundo deve permanecer individual, e o supremo deve permanecer particular: ele não pode se tornar coletivo. Porque, a menos que cada um chegue ao estado de iluminação, ela não pode ser coletiva. Você tem de crescer para alcançá-la.
        Assim, ciência e religião não podem realmente se encontrar, porque suas abordagens são diferentes. A religião é absolutamente particular - o interesse é do indivíduo com ele mesmo. Devido a isso, aqueles países que no passado eram mais religiosos que outros, permaneceram individualistas. Por exemplo: a Índia. A Índia é individualista. Às vezes parece mesmo egoísta. Cada qual está interessado em si mesmo, no seu próprio crescimento, sua própria iluminação - sem interesse nos outros, indiferente aos outros, indiferente à sociedade, às condições sociais, à pobreza, à escravidão. Cada um está interessado em si mesmo, no crescimento até o supremo pico. Isso também parece egoísmo.
        Os países ocidentais são mais socialistas, menos individualistas. Eis por que o próprio conceito de comunismo ficou impossível para a mente indiana. Nós demos um Buda e um Patânjali, mas não pudemos dar um Marx. Ele teve de vir do Ocidente, onde a sociedade, o todo coletivo, é mais importante que o indivíduo; onde a ciência é mais importante do que a religião; onde aquilo que acontece objetivamente é mais importante do que aquilo que acontece na sua absoluta privacidade. O que acontece na privacidade é como sonho para o Ocidente.
        Veja só: o que acontece publicamente nós chamamos de maya, ilusão. Shânkara diz que todo o mundo é ilusão; somente aquilo que acontece profundamente dentro de você, o supremo - o brahma que acontece ali - é real. E tudo mais é irreal. Bem oposta é a atitude científica ocidental: aquilo que acontece dentro de você é ilusório; o que acontece fora é o real. A realidade existe do lado de fora de você, e o mundo do sonho está aí dentro de você.
        Essas são as duas atitudes - tão diferentes, com abordagens tão diametralmente opostas, que não pode haver nenhum encontro. Suas dimensões são diferentes, suas esferas são diferentes. Elas nunca atravessam o território uma da outra - não há absolutamente nenhum conflito. E não precisa haver nenhum conflito. A ciência funciona no mundo objetivo, e a religião funciona no indivíduo, no mundo subjetivo. Elas nunca se cruzam. Não pode haver nenhum conflito.
        E, para mim, quando você está trabalhando com o mundo exterior, você deve trabalhar com uma atitude científica. Quando você está trabalhando consigo mesmo, trabalhe com uma atitude religiosa. E não crie nenhum conflito; não há nenhuma necessidade. Não traga a ciência para o mundo interior, e não leve a religião para o mundo exterior.
        Se você trouxer a religião para o mundo exterior, você criará o caos. Na Índia, nós o criamos - é uma confusão. Se você trouxer a atitude científica para o mundo interior, você criará loucura - o Ocidente já a criou. Agora, o Ocidente está completamente neurótico. E ambos cometeram o mesmo erro. Não misture os dois, e não tente levar o externo para o interno, ou o interno para o externo. Deixe o subjetivo ser subjetivo e deixe o objetivo ser objetivo. Enquanto você estiver se movendo do lado de fora, seja científico e objetivo e, enquanto estiver se movendo dentro, seja religioso e subjetivo.
        Não há necessidade de criar nenhum conflito. Não há conflito. O conflito surge, somente porque queremos impor uma única atitude em ambos os reinos. Queremos ou ser totalmente científicos, ou ser totalmente religiosos - isso está errado. Com o objetivo, a abordagem subjetiva será falsa, perigosa, maléfica, e vice-versa.

Osho, The Book of the secrets, V.2, # 52