Sobre este canto

         Neste local, você poderá encontrar um pouco de reflexão sobre o momento que estejamos vivendo então, e os momentos que já vivemos num “então” anterior... Suponho que este será um escrever eterno, sem nenhuma preocupação com substituições de textos, pelo menos, como um planejamento. Não sei como o futuro será. Interesso-me pelo momento – este é o meu aprendizado enquanto pessoa. Se os textos forem substituídos no futuro, ficarei sabendo na hora.

        Digamos que isto aqui é um diário público – um aprendizado de descaramento, de desmascaramento. Se é pela compreensão que meu crescimento acontece, para mim, essa compreensão precisa ser expressa em palavras escritas também.

         Até o dia de hoje, desde uns cinco anos para cá, tenho sempre enviado minhas reflexões sobre os momentos que vivemos, primeiramente, para um grupo de amigos que prezo. Os que me pediram um tipo de amor diferente, já estão excluídos da minha lista. Possivelmente para sempre, pois não costumo olhar para trás.

         Mas, a partir de agora, tendo já divulgado suficientemente esta home page, creio que posso me dar ao luxo de não mais mandar nada para ninguém – quem estiver interessado em saber meu pensamento para o momento, pode entrar aqui livremente e procurá-lo, sabendo sempre que nunca encontrará o pensamento comum, seja acadêmico de direita, de esquerda, de suposto centro, ou mesmo o pensamento popular dessa seleção mencionada (direita, esquerda, suposto centro). Meu pensamento pode estar até nesses locais, mas será por pura passageira coincidência...

         Estarei me esforçando para ler, nos fatos, os próprios fatos, e esse é o melhor meio que suponho termos para passar depressa pelos maus-cheiros da vida, pelos maus-bocados. 

        É claro que se, mesmo inconscientemente, você for um profissional do status quo  – quer da sua permanência, quer da sua mudança (retorno) para o velho –, você não gostará de ler o que escrevo. Sinto-me descompromissada com o mundo exterior inventado pelo homem repetitivo, e revelo, certo ou errado, o que sinto e penso ser uma visão do momento. Não tente, portanto, fixar-me nesta ou naquela ideologia, pois isso não existe para mim, embora já tenha existido... Pensando em mim, lembre-se mais de uma folha ao vento do que de uma pedra no caminho... seja em que caminho for.

         Quero que saiba, entretanto, que terei o maior prazer de receber seja qual for seu pensamento a respeito. Estou aqui para “conversar” com pessoas que gostem de mexer com a própria inteligência, que gostem de deixar o vento passar entre as dobras dos pensamentos guardados a sete chaves, dos quais nem nos damos conta, quase sempre. Digamos que, a partir deste momento, teremos um exercício de pensamento. E vamos desenvolver esse mistério que nos domina – o  pensamento –, mesmo quando pensamos que não.

         Quanto a eu e você pensarmos diferentemente, isso fica claro pelas nossas próprias vidas, supondo eu que cada um vive como pensa, tanto quanto eu. Alguns vivem segundo algum modelo, outros, como eu, vivem sem modelo previamente elaborado –  por si ou seja por quem for –  e fixado segundo determinadas conveniências, mas, sim, vivem ao sabor da vida. Se o seu modo de pensar/viver é diferente do meu, isso não tem a menor importância. Se quiser, pode deixar-me saber; mas não é preciso apenas dizer isso, que pensamos diferentemente um do outro, uma da outra. Mostre-me como o seu pensamento é diferente. Isso tem valor. O resto é apenas malcriação, e eu não estou sendo malcriada com ninguém – apenas exerço um direito: o de expressar-me livremente.

         Uma vez, num Cursilho cristão, perguntavam-nos “quem é você?”, na hora da apresentação, depois de um delicioso jantar. À medida que ia se aproximando meu momento de falar, uma das últimas dentre duzentas mulheres, eu ia ficando aflita mesmo, sem saber o que dizer – diziam de mim tantas e tão contraditórias coisas...! Mas chegou a minha vez e tive que falar. Lembro-me que comecei assim: “Eu sou meio tico-tico no fubá”... E fui por aí afora nesse tom, bem verdadeiro quando penso em mim, ainda hoje, sempre criando muitas gargalhadas. Tenho incapacidade para a fixação... Gosto de água, de sorvete e de tudo que caiba em qualquer recipiente. A solidez me apavora. Deve ser por isso que estou me preparando para “saltar fora” tão logo meu corpo mostre o menor enrijecimento definitivo.

         Bem, para eu não me esquecer do único importante,

                       muito amor para nós todos:
                       continuemos aprendendo a amar.
                       Samashti.