O ego do criminoso e o ego da sociedade

           Temos punido os criminososmilhares de anos, mas ninguém se importa em saber se esses criminosos alguma vez se transformaram através da nossa punição ou não. Os criminosos continuam aumentando; as prisões aumentam, os prisioneiros aumentam – quanto mais leis, mais criminosos; quanto mais tribunais, mais punições. O resultado é absolutamente absurdo: mais criminalidade.

            Qual é o problema? O criminoso também pode sentir que é uma racionalização dizer que ele foi punido por ter errado e que, na verdade, ele foi punido porque foi apanhado. Assim, ele também tem sua racionalização: da próxima vez, ele tem de ficar mais esperto e mais astuto, eis tudo. Desta vez ele foi apanhado porque não estava alerta, não porque tivesse feito algo de errado. A sociedade provou ser mais inteligente do que ele; assim, da próxima vez, ela verá... – ele vai provar que é mais esperto, astuto, inteligente e, então, não será apanhado. Um prisioneiro, um criminoso que é punido, sempre pensa que foi punido não pelo que cometeu, mas porque foi apanhado. Assim, a única coisa que ele vai aprender com a punição é a não ser apanhado novamente.

            Assim, sempre que um prisioneiro sai da prisão, ele é um criminoso melhor do que nunca: ele viveu com pessoas experientes dentro da prisão, pessoas com habilidades mais avançadas, que sabem mais, que foram apanhadas e punidas muitas vezes, que sofreram muitoque têm sido enganadas de muitas e muitas maneirasque estão muito avançadas no caminho do crime. Vivendo com essas pessoas, servindo-as, tornando-se um discípulo delas, ele aprende. Ele aprende através da experiência que, da próxima vez, ele não vai ser preso. Então, ele se torna uma criminosomelhor”.

            Ninguém é obstado por causa da punição, mas a sociedade continua pensando que é para acabar com o erro que nós punimos. Ambos estão errados: a sociedade tem uma outra razãoela se vinga; e o criminoso, ele também compreende – porque os egos compreendem a linguagem um do outro com muita facilidade, por mais inconscientes que sejam –, o criminoso também pensa: “Está bem, eu me vingarei quando chegar minha vez. Veremos.”. Então, há um conflito entre o ego do criminoso e o ego da sociedade.

OSHO, A Semente de Mostarda, # 6