Osho, depois de anos junto a você, estou familiarizado com a relação mestre-discípulo. Por favor, poderia comentar sobre a relação discípulo-discípulo?
Não existe tal coisa.
No passado, discípulos criaram organizações. Esse era o relacionamento deles: 'nós somos cristãos', 'nós somos muçulmanos', 'nós pertencemos a uma religião, a uma fé, e porque pertencemos a uma fé, somos irmãos e irmãs. Viveremos pela fé e morreremos pela fé.'
Todas as organizações tiveram origem no relacionamento entre discípulos.
Na verdade, dois discípulos não estão, em absoluto, conectados um com o outro. Cada discípulo está conectado com o mestre dentro de sua capacidade individual.
Um mestre pode estar conectado com milhões de discípulos, mas a conexão é pessoal, não organizacional.
Discípulos não têm relacionamento entre si. Sim, eles tem uma certa 'amistosidade', uma certa 'amorosidade'. Estou evitando a palavra relacionamento porque ela é comprometedora.
Não estou chamando a isso nem mesmo de amizade, mas de 'amistosidade', porque eles são todos companheiros de viagem seguindo no mesmo caminho, com amor ao mesmo mestre; mas eles se relacionam através do mestre. Não se relacionam um com o outro diretamente.
Essa foi a coisa mais infeliz no passado: discípulos se organizaram e se relacionaram - e todos eles eram ignorantes. E pessoas ignorantes só conseguem criar mais dano ao mundo do qualquer outra coisa. Todas as religiões têm feito exatamente isso.
Meu povo está relacionado comigo individualmente. E por estarem no mesmo caminho, certamente eles se tornam conhecidos entre si. Uma 'amistosidade' surge, uma atmosfera amorosa, mas não quero chamar isso de qualquer tipo de relacionamento.
Já temos sofrido demais devido ao relacionamento direto de discípulos entre si, criando religiões, seitas, cultos, e depois entrando em disputas. Eles não conseguem fazer nada além disso.
Pelo menos comigo, lembre-se disto: vocês não estão relacionados entre si de nenhuma forma, absolutamente.
Apenas uma 'amistosidade' líquida, não uma amizade sólida, é suficiente e muito mais bela, sem qualquer possibilidade de causar danos à humanidade no futuro.OSHO, Beyond Enlightenment , # 2