Meditação não deve ser uma prática
A meditação não é para ser praticada realmente. Ela deve acontecer a você. Só uma mente sem desejos está em meditação. Então, você pode brincar com as técnicas. E eu digo 'brincar'. Então, você pode brincar com as técnicas - não há nenhuma prática. 'Prática' não é uma boa palavra, a própria palavra está errada. Então, você pode brincar com as técnicas, e você pode desfrutar a brincadeira, porque não há nenhum desejo para alcançar algo e não há nenhuma impaciência para chegar a algum lugar.
Você pode brincar e, através da brincadeira, quando a meditação é uma brincadeira, tudo é possível imediatamente, porque você não está perturbado, você não está impaciente, você não está com pressa, você não está indo a algum lugar, não está se esforçando para chegar a algum lugar. Você está aqui e agora. Se a meditação acontece, tudo bem. Se não acontece, tudo bem também. Não há nada de errado com você, porque não há nenhum desejo, nenhuma expectativa, nenhum futuro.
E lembre-se: quando a meditação ou a não-meditação são semelhantes para você, a meditação já aconteceu a você. Você chegou. Agora, a meta chegou, o supremo desceu em você. Isso parecerá estranho... - eu lhes dizer para não fazerem da meditação uma prática, mas, ao invés, fazer dela uma brincadeira, um divertimento. Desfrute-a enquanto a estiver fazendo, não por algum resultado.
Mas nossas mentes são muito sérias, mortalmente sérias. Mesmo se brincamos, fazemos disso uma coisa séria. Nos a fazemos virar uma tarefa, um dever. Brinquem exatamente com crianças pequenas. Brinquem com as técnicas de meditação e, depois, muito mais é possível através delas. Não sejam sérios em relação a elas: tome-as como um divertimento. Mas nós fazemos de tudo uma coisa séria. Mesmo se estivermos brincando, nós o fazemos seriamente. E, com a religião, sempre fomos muito sérios. A religião nunca foi um divertimento, eis por que a terra permaneceu irreligiosa. A religião deve se tornar um divertimento e uma festividade, uma celebração - uma celebração do momento: desfrute tudo o que esteja fazendo; desfrute tanto e tão profundamente, que a mente cesse.
Tudo pode se tornar uma técnica se você compreende a qualidade da mente que traz a meditação. Então, seja o que for que faça, torna-se uma técnica. Sejam brincalhões, celebrem, desfrutem. Entrem tão profundamente na técnica, que o tempo cesse.
Mas o tempo não pode cessar se o desejo existir. Realmente, desejo é tempo. Quando você deseja, o futuro é necessário, porque o desejo não pode ser preenchido aqui e agora. O desejo só pode ser preenchido em algum lugar no futuro - então, você precisará do futuro para se mover. E, então, o tempo o destrói: você perde a eternidade. A eternidade está aqui.
Assim, tome a meditação como um divertimento, uma festividade, uma celebração de qualquer coisa. Você está apenas cavando lá no jardim - isto pode se tornar uma técnica. Simplesmente cave e desfrute e celebre o próprio ato. Torne-se o ato e esqueça-se do agente. O "eu" não está ali, somente a ação permanece e você está presente na ação, abençoadamente presente. Então, o êxtase está ali - nenhuma impaciência, nenhum desejo e nenhuma motivação.
Se você trouxer motivação, desejo e impaciência para a meditação, você destruirá a coisa toda. E, então, quanto mais você fizer, mais frustrado se sentirá. Você dirá: "Estou fazendo tanto e nada está acontecendo!". As pessoas vêm a mim. Dizem: "Eu estou fazendo isto e aquilo e, durante tantos meses e por tantos anos, e nada aconteceu.".
Um buscador holandês esteve aqui, e ele estava fazendo uma determinada técnica, trezentas vezes, todos os dias. Então, ele me disse: "Durante dois anos, tenho feito esta técnica trezentas vezes todos os dias. Não perdi nem um dia. Deixei tudo, porque tinha de fazer isto trezentas vezes todos os dias - e nada aconteceu...". E ele estava à beira de um ataque de nervos, por causa da técnica.
Assim, eu lhe disse: "A primeira coisa é abandonar isso. Faça seja o que for, mas não faça mais isso. Você vai ficar louco!". Ele estava mortalmente sério em relação àquilo. Era um problema de vida e morte para ele: aquilo tinha de ser alcançado.
E ele disse: "Quem sabe quantos dias faltam? O tempo é curto, e eu tenho de alcançar isso durante esta vida. Eu não quero nascer outra vez. A vida é muita miséria.".
Ele nascerá novamente e novamente. Do jeito que ele está fazendo, ele vai ficar cada vez mais e mais louco. Está errado - toda a atitude está errada. Tome a meditação como uma brincadeira, uma diversão; desfrute-a e, então, a própria qualidade muda. Então, ela deixa de ser algo que você está fazendo como uma causa para conseguir algum efeito. Não, você está desfrutando-a aqui e agora. Ela é a causa e o efeito, ambos. Ela é o começo e o fim.
E, então, você não pode perder a meditação. Você não a pode perder, ela acontecerá a você, porque, agora, você está pronto para recebê-la internamente. Você está aberto. Ninguém jamais disse que a meditação deve ser tomada como uma brincadeira, mas eu digo: torne-a uma brincadeira. Exatamente como crianças pequenas, brinque com ela.Osho, The Book of the secrets, V2, # 52