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Osho, você disse que os psicólogos ocidentais
dizem agora, que é melhor não evitar as brigas num relacionamento
amoroso e que encará-las, quando surgem, torna o amor mais intenso. Então,
Você falou do caminho do meio de Buda, que exclui ambos os extremos.
Para aqueles que ainda não transcenderam para dentro do amor que está
além dos dois pólos, qual caminho é o preferível para os amantes, em
Sua opinião? Alguns pontos básicos. Em primeiro lugar, o amor da mente está fadado a ser um movimento entre os dois pólos opostos de ódio e amor. Com a mente, a dualidade fatalmente estará presente. Assim, se você está amando alguém com a sua mente, você não pode escapar do outro pólo. Você pode escondê-lo, você pode reprimi-lo, você pode esquecê-lo – as assim chamadas pessoas educadas estão sempre fazendo isso. Mas, então, elas se tornam entorpecidas, mortas.
Se você não pode brigar com seu amado, se você não pode ficar
com raiva, então, a autenticidade do amor é perdida. Se você reprimir
sua raiva, essa repressão da raiva se tornará uma parte de você e
essa raiva reprimida não lhe permitirá uma entrega total ao amar. Ela
estará sempre presente. Você a está segurando; você a reprimiu.
Se eu estou com raiva e a reprimo, então, quando eu estiver
amando, a raiva reprimida estará presente e isso matará o meu amor. Se
eu não fui autêntico em minha raiva, eu não posso ser autêntico em
meu amor. Se você é autêntico, então, você é autêntico em ambos.
Se você não é autêntico em um, você não pode ser autêntico no
outro.
Por todo o mundo, os assim chamados ensinamentos – a civilização,
a cultura –, enfraqueceram o amor completamente. E em nome do amor,
isso aconteceu. Eles dizem: “Se você ama alguém, então, não fique
com raiva; seu amor é falso se você está com raiva. Então, não
brigue; então, não odeie.”.
Naturalmente, isso
parece lógico. Se você está amando, como você pode odiar? Assim, nós
eliminamos a parte que odeia. Mas, com a eliminação da parte que
odeia, o amor se torna impotente. É como se você tivesse cortado uma
perna de um homem e, então, dissesse: “Agora, ande! Agora, você pode
correr, você está livre para correr.”. Mas você cortou uma perna;
assim, o homem não pode andar.
Ódio e amor são dois pólos de um fenômeno. Se você cortou o
ódio, o amor estará morto e impotente. É por isso que toda a família
se tornou impotente. E então, você se torna temeroso de se entregar.
Quando você está amando, você não pode se entregar completamente,
porque você está com medo. Se você se entregar completamente, a
raiva, a violência, o ódio
que estão escondidos e reprimidos podem aparecer. Então, você tem de
forçá-los para baixo continuamente. Bem no fundo, você tem de lutar
com eles continuamente. E lutando com eles, você não pode ser natural
e espontâneo. Então, você apenas representa que está amando. Você
aparenta e todo mundo sabe: sua esposa sabe que você está
representando e você sabe que sua esposa está representando. Todo
mundo está representando. Então, toda a vida se torna falsa.
Duas coisas devem ser feitas a fim de se ir além da mente.
Primeira: entre na meditação e, então, toque o nível da não-mente
dentro de você. Então, você terá um amor que não terá nenhum pólo
oposto. Mas, então, nesse amor, não haverá nenhum excitamento,
nenhuma paixão. Esse amor será silencioso – uma profunda paz sem uma
ondulação sequer.
Um Buda, um Jesus também amam. Mas nesse amor não existe nenhum
excitamento, nenhuma exaltação. A exaltação vem do pólo oposto, o
excitamento vem do pólo oposto. Dois pólos opostos criam tensão. Mas
o amor de Buda, o amor de Jesus é um fenômeno silencioso; assim,
somente aqueles que alcançaram o estado da não-mente podem entender o
amor deles.
Jesus estava passando e a noite estava quente. Ele estava
cansado, então, ele descansou embaixo de uma árvore. Ele não sabia a
quem a árvore pertencia.
Ela pertencia a Maria Madalena. Maria era uma prostituta.
Ela olhou de sua janela e viu aquele homem muito belo – um dos
mais belos jamais nascidos. Ela se sentiu atraída e não somente atraída,
ela se sentiu apaixonada. Ela saiu e perguntou a Jesus: “Venha para a
minha casa. Por que você está descansando aí? Você é bem-vindo.”.
Jesus viu em seus olhos paixão, amor – o assim chamado amor.
Jesus disse: “Da próxima vez, quando eu estiver cansado novamente, ao
passar por aqui, eu irei à sua casa. Mas, neste momento, a necessidade
está preenchida. Eu já estou pronto para caminhar novamente; assim, eu
lhe agradeço.”.
Maria se sentiu insultada. Isso era raro... realmente, ela nunca
tinha convidado ninguém antes. As pessoas vinham de longe só para vê-la.
Até mesmo reis vinham a ela, e ali estava aquele mendigo recusando-a.
Jesus era apenas um mendigo, um vagabundo – apenas um hippie, e ele a recusou. Assim, Maria disse para Jesus: “Você não pode
sentir o meu amor? Isso é um convite amoroso. Então, venha! Não me
rejeite. Você não tem nenhum amor no seu coração?”
Jesus lhe disse em resposta: “Eu também a amo – e, na
verdade, todos aqueles que chegam fingindo que a amam, não a amam
realmente.” – ele disse – “Somente eu posso amá-la.”.
E ele estava certo. Mas esse amor tem uma qualidade diferente.
Esse amor não tem o pólo oposto, o contraste. Assim, a tensão está
ausente, a excitação está ausente. Ele não está excitado com o
amor, não está exaltado. E o amor não é um relacionamento para ele,
é um estado de ser.
Vá além da mente; alcance o nível da não-mente. Então, o
amor floresce, mas esse amor não tem oposição. Além da mente não há
oposição a nada. Além da mente, tudo é um. Dentro da mente, tudo está
dividido em dois. Mas, se você está dentro da mente, é melhor ser autêntico
do que ser falso.
Assim, seja autêntico quando você sentir raiva de seu amado, ou
de sua amada. Seja autêntico quando você está com raiva e, então,
sem nenhuma repressão, quando o momento do amor chegar, quando a mente
se mover para o outro extremo, você terá um fluxo espontâneo. Assim,
com a mente, tome a luta como uma parte dela. É o próprio dinamismo da
mente, funcionar em pólos opostos. Assim, seja autêntico em sua raiva,
seja autêntico em sua luta; então, você será autêntico em seu amor
também.
Assim, para os amantes, eu gostaria de dizer: sejam autênticos.
E se vocês forem autênticos, um fenômeno único acontecerá: vocês
ficarão saturados de todo esse absurdo de se movimentar em pólos
opostos. Mas sejam autênticos; do contrário, vocês nunca se tornarão
saturados.
Uma mente reprimida nunca deixa a pessoa se tornar realmente
consciente de que ela está agarrada em pólos opostos. Ela nunca está
realmente com raiva, ela nunca está realmente amando; assim, ela não
tem experiência real da mente. Assim, eu sugiro ser autêntico. Não
seja falso. Seja real! E a
autenticidade tem sua própria beleza. Seu amado, sua amada compreenderão
quando você estiver realmente com raiva – autenticamente com raiva.
Somente uma raiva fingida, ou uma falsa não-raiva, não pode ser
perdoada. Somente uma face falsa não pode ser perdoada. Seja autêntico
e, então, você será autêntico no amor também. Esse amor autêntico
compensará e através desse viver autêntico, você se tornará
saturado. Você chegará a
se surpreender com o que você está fazendo – por que você é apenas
um pêndulo movendo-se de um pólo ao outro? Você ficará entediado e,
somente então, você poderá decidir mover-se além da mente e além da
polaridade.
Seja um homem autêntico, ou seja uma mulher autêntica. Não
permita nenhuma falsidade, não finja. Seja real e sofra a realidade. O
sofrimento é bom. O sofrimento é realmente um treinamento, uma
disciplina. Sofra! Sofra a raiva e sofra o amor e sofra o ódio.
Lembre-se somente de uma coisa: nunca seja falso. Se você não sente
amor, então, diga que você não sente amor. Não finja; não tente
mostrar que você está amando. Se você está com raiva, então, diga
que está com raiva e fique com raiva.
(...)
Existe uma possibilidade de um amor
que não tem oposto a ele, mas esse amor pode vir somente quando você
vai além daquele amor. E para ir além, eu sugiro que você seja autêntico.
Seja autêntico – no ódio, no amor, na raiva, em todas as coisas,
seja autêntico: real, sem fingir, porque somente uma realidade pode ser
transcendida. Você não pode transcender coisas irreais. OSHO, O Livro dos
Segredos, # 12
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