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Ria um pouco mais Amado mestre, porque eu levo tudo tão a sério? O ego só pode existir se você se leva tudo a sério, você e tudo o mais. Coisas como a brincadeira, como o riso, não matam o ego. Quando você começa a levar da vida como alegria e leveza, o ego tem de morrer, ele não pode mais existir. Ego é doença; ele precisa de uma atmosfera de tristeza para existir. A seriedade cria tristeza em você. A tristeza é o solo necessário para o ego. (...) A pessoa verdadeiramente religiosa tem de ser uma celebrante. Olhe ao redor... olhe para as árvores – elas são sérias? Olhe para os pássaros, ouça-os – eles são sérios? A existência é completamente não-séria; ela vive dançando. Ela é uma eterna celebração, é uma festividade. Somente o homem é sério, porque somente o homem tem tentado criar uma separação entre ele mesmo e a existência. Ele não quer ser parte do todo, porque, então, ele desaparece. Ele quer sua própria identidade, seu próprio nome, sua própria forma, sua definição. Mesmo que isso crie miséria está bem, mesmo que ele tenha de viver no inferno, ele está preparado para isso. (...) O ego quer ser o primeiro, o ego quer pôr todo mundo abaixo dele; daí ele se levar a sério. Daí ele ser perfeccionista: ele exige perfeição, que é impossível. Ninguém é perfeito; ninguém pode existir por um único momento se for perfeito. A imperfeição é o jeito da vida, porque é possível crescer somente se você for imperfeito. Se você for perfeito, não haverá mais nenhum crescimento, mais nenhuma evolução. Se você é perfeito, você está parado. Perfeição quer dizer morte; imperfeição quer dizer fluxo, crescimento, movimento, dinamismo. O ego exige perfeição da própria pessoa e dos outros também. Ele pede pelo impossível e, como o impossível não pode ser alcançado, ele pode continuar vivendo. Ele não é feliz com o comum, com o ordinário; ele quer o extraordinário, e a vida consiste somente do comum. Mas o comum é belo! O comum é delicado! Não há nenhuma necessidade de nada extraordinário. A vida comum é sagrada, mas o ego a condena como mundana. Ele exige uma vida extraordinária. Daí todas as religiões continuarem a inventar histórias sobre seus fundadores, as quais são todas inverídicas: Moisés separando o mar, Jesus andando sobre a água... todas essas histórias são invenções, mentiras criadas pelos seguidores só para provar que seus mestres são extraordinários – que ele não é um ser humano comum. De fato, a verdade é que você não pode descobrir um ser humano mais comum do que Buda, Mahavira, Jesus, Moisés, Zarathustra, Lao Tzu... Eles são tão simples! Eles se aceitaram com são. Eles vivem o que é, em tathata. Eles não almejam por nenhuma perfeição. Eles vivem perfeitamente com o mundo imperfeito, ficam completamente contentes com ele. E eles não se levam tão a sério, que têm de atingir a grandes alturas, grandes picos, que eles têm de suplantar a todos. Eles não são insanos! Eles são pessoas belas e a beleza deles consiste em ter aceitado o comum como extraordinário, o mundano como sagrado. Prembodhi, você pergunta: “Por que eu me levo tudo tão a sério, a mim e a tudo mais?”. Todo mundo leva a si e aos outros seriamente. Esse é o jeito do ego existir. Comece a ser um pouco mais brincalhão e você verá o ego evaporando. Leve a vida não-seriamente, como uma piada – sim, como uma piada cósmica. Ria um pouco mais. OSHO, The Dhammapada, V.10, # 10 |